AMOR BANDIDO
Foi numa tarde serena,
que conheci o moreno,
que veio pra minha vida mudar...
Bonito, alto, galante,
bem vestido e elegante.
Com seu linguajar vibrante,
deixava-me confiante,
disposta a me entregar.
Depois daquela euforia,
cheia ainda de alegria,
cantava durante o dia,
para, à noite, chorar...
O moreno então sumia,
de manhã aparecia,
cheio de sono, dormia,
enquanto eu me consumia
e me dispunha a rezar.
Pedia a Deus para livrar
daquela praga indolente,
só queria um banho quente
sem ter de pagar a conta!
Tive uma ideia vibrante,
peguei sua roupa elegante,
joguei no lixo o bastante
para, nu, o deixar:
Ao despertar da aurora,
antes que ele dormisse,
mandeio logo embora,
fazendo-se de mandante.
Mas, numa atitude arrogante,
me esnobou, me humilhou...
Então, peguei a vassoura,
para logo expulsar.
Ele quebrou minha arma
e disse: "Só vou se pagar!"
Veja você, meu amigo,
caí numa esparrela.
Penso só aqui comigo:
como me livrar dela?
Às mulheres solitárias,
desconfiem logo, instante:
quando conhecerem um tratante,
não acreditem em rodeios,
muito menos em galanteios.
Se querem um bom parceiro,
fiquem longe dos galantes
e só prefiram os ficantes...
Autora: Thereza Medeiros de Brito
In memoriam: 1934 - 2020
Minha Mãe
ALEXANDRE M. BRITO
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